Caminhámos por esses regaços velhos, esses cântaros vadios. Eu de cinzas a tiracolo, tu algures, algures nos céus ou nos universos - conforme as sortes - tentando pesar pouco, pesar uma vida cortada ao meio.
E como é que isso se faz? Quando estás reduzido a cinzas e eu não sei porque é que devo continuar a agir como se todas as injustiças do mundo fossem importantes.
E eu quero uma vida velha, velha que me leve atrás na flecha do tempo, esculpi-la para que vá de marcha à ré e possamos começar onde nunca pudemos começar; repensar tudo o que devia ter sido repensado.
Choro por todas as palavras que ficaram por dizer. Foram muitas. Muitas e os teus olhos, que deitavam faúlhas lancinantes de tristeza porque foste obrigado a ir embora. E olhas-me. E olhas-lhe. E sabes. Que nada podemos fazer, a não ser limpar-te as lágrimas e fingir que os sons guturais emanados da tua garganta querem dizer alguma coisa.
Esperaste por mim. E era essa a pergunta que eu precisva de ver respondida.
23/06/2011
11/06/2011
As coisas que ficaram por dizer
As coisas que ficaram por dizer. E que ficaram por ouvir. Que nós não somos de ferro, nem de aço, nem de furor.
Posso chorar, pai?
14/04/2011
03/04/2011
Até já...
Eis-me em Berlim. De novo. E, desta feita, com um lastro pesado e denso. Em frente, um mundo de incertezas, a descoberta de um espaço novo, gente ligeiramente hostil, apesar de interessante, apesar do prestígio, apesarapesarapesarapesar...
E tudo o que fica aqui dentro. Nunca para trás. Nunca alguém como a a. (pegaste-me esta coisa das iniciais; adoro), que me deixou a chorar. Nunca alguém como a m., o z., o a., o g., a a. (outra a.) ou a x.. Nunca alguém com a d. e o c. Nem o r. e a j. (e outra a., pequenina e encaracolada...). Vocês nunca ficam para trás. Estão sempre no meu futuro, porque esta viagem, de garganta e coração apertado, nunca poderia ser somente de ida. Ao contrário do que disse, muitas vezes, no auge da fúria, no paroxismo da frustração, a minha casa são vocês todos. E eu nunca poderei sair dessa casa.
Até já.
E tudo o que fica aqui dentro. Nunca para trás. Nunca alguém como a a. (pegaste-me esta coisa das iniciais; adoro), que me deixou a chorar. Nunca alguém como a m., o z., o a., o g., a a. (outra a.) ou a x.. Nunca alguém com a d. e o c. Nem o r. e a j. (e outra a., pequenina e encaracolada...). Vocês nunca ficam para trás. Estão sempre no meu futuro, porque esta viagem, de garganta e coração apertado, nunca poderia ser somente de ida. Ao contrário do que disse, muitas vezes, no auge da fúria, no paroxismo da frustração, a minha casa são vocês todos. E eu nunca poderei sair dessa casa.
Até já.
26/03/2011
É fácil trocar as palavras. Difícil é interpretar os silêncios.
"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."
E eis que me vejo a ler Pessoa. São momentos da vida.
22/03/2011
Nas vésperas da crise, continuamos a querer outro mundo.

É uma boa altura para voltar a acreditar.
Em qualquer coisa.
Em qualquer coisa que não seja este estertor e esta narrativa bafienta e esta eterna obsolescência a que adamastores, sonegadores, velhos do restelo e gestores competentes nos condenam todos os dias das nossas vidas.
Pois bem: Chega.
Chega de cortes, chega de violência, chega de melancolia e chega, acima de tudo, chega de conformismo. Não salvem bancos, salvem pessoas. É isso que vamos fazer. De uma vez por todas, criar uma vida nova, viver uma criatividade nova. Para todos, tudo. Liberdade, o direito à livre expressão, coisas belas e radiantes para toda a gente. É o que eu quero. É o que tu queres. Portanto, que esperas?
Portugal - Uncut!
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16/03/2011
Yi yi
Vida improvisória. Farto de partidas e voltas trocadas, saudades adiadas, coisas perdidas. Cansado de recobrar - isto de respirar fundo e só-mais-uma-vez-para-fechar requer uma inquebrável força.
Redimo-me ou perco-me ofuscado na luz.
Vida improvisória. Que eu já nem sei onde pára essa coisa chamada serenidade.
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