23/11/2010

We will dance because we are the revolution.




É preciso dançar. É preciso respirar. A greve de hoje anuncia-o. A sociedade está viva e reagirá, a favor de uma vida nova. A favor de tudo o que nos dará um futuro. Já não somos contra nada.

Não somos contra a corrupção. Somos a favor da transparência.
Não somos contra a desigualdade. Somos a favor da igualdade.
Não somos contra a injustiça. Somos a favor da justiça.
Não somos contra o neoliberalismo. Somos a favor do controlo democrático da economia pelos cidadãos que a constituem.
Não somos contra a elite dominante. Somos a favor de um diálogo e de uma renovação sustentada.
Não somos contra o ódio. Somos a favor do amor.
Não somos contra o desemprego. Somos a favor do pleno emprego.
Não somos contra a guerra. Somos a favor da paz.
Não somos contra nada. Somos a favor do florescimento da humanidade.


Em suma, a minha geração já se cansou de ser contra tudo e contra todos. Hoje, somos a favor de algo. Somos a favor de um mundo novo. Não lutamos contra a infelicidade, mas a favor da felicidade.

Por isso, a minha maneira de protestar será sorrir. Será lançando gargalhadas implacáveis contra a classe política tecnocrática, ante a sua insignificância e demência crescentes. Não sei dançar, mas bambolearei o meu corpo. Não sei cantar, mas cantarei a plenos pulmões. Não sei desenhar, mas desenharei este mundo que é um sonho de todos os que não se deixam vergar aos indicadores, às produtividades, às eficiências, aos sistemas de controlo controlado e recontrolado. Nós ainda sonhamos. Nós ainda estamos por cá, ainda passamos as mãos pela relva recém-cortada, ainda dizemos "obrigado" quando nos sorriem de volta. E, por isso, sorrirei. Regozijar-me-ei, celebrarei a amizade, o amor, as ligações, a solidariedade, a cooperação, porque são elas que valem o esforço, o sangue, o suor, as lágrimas e as dores de cabeça.

Essa é a melhor forma de protestar. É a melhor forma de reduzir o neoliberalismo, o caciquismo, o aproveitamento ínvio do património público e as sevícias praticadas por moralistas à sua condição de rodapés da história.

Eu não sou contra o governo. Adiro à greve porque a sociedade deve mostrar que está viva. E mostraremos.